top of page

WOLLYING, SORORIDADE E NEGÓCIOS

há 10 minutos
2 min de leitura

Uma reportagem recente do Estadão chamou minha atenção para um termo que eu ainda não conhecia: wollying: a violência de mulher para mulher.


O conceito descreve comportamentos que podem aparecer como crítica, ironia, exclusão, desqualificação, competição ou até como uma “brincadeira”, mas que, em determinadas situações, têm como efeito enfraquecer outra mulher.


Isso me levou a uma reflexão que vai além das relações pessoais.


O que acontece quando esse comportamento entra no mundo dos negócios?

Porque negócios são feitos de oportunidades.

De indicações.

De convites.

De reuniões.

De cotações.

De fornecedores.

De parcerias.

De decisões de contratação.


E existe uma diferença importante entre defender publicamente uma bandeira e incorporá-la às próprias decisões.


A ONU Mulheres trabalha há anos com o conceito de gender-responsive procurement: utilizar as compras e as cadeias de fornecedores também como instrumento de participação econômica das mulheres.

E os números mostram que ainda existe uma distância significativa entre discurso e prática.

Segundo a ONU Mulheres, menos de 1% dos gastos de grandes empresas com fornecedores chegava a empresas de propriedade de mulheres em seu levantamento sobre o tema.

Em 2025, a organização voltou a apontar que os compromissos corporativos com igualdade de gênero ainda são fragmentados e pouco mensurados.


Isso me faz pensar especialmente nas empresas que falam muito em SORORIDADE.

Não se trata de contratar uma mulher simplesmente porque ela é mulher.

Muito menos de transformar gênero em critério acima de competência, qualidade, experiência, preço, capacidade de entrega ou resultado.


É algo mais especifico

Quando uma mulher tem competência, experiência e uma solução adequada, ela está realmente sendo considerada?


Ela entra na cotação?

É chamada para apresentar?

Recebe oportunidade de negociação?

É indicada?

É contratada?

Ou a sororidade termina no discurso, na foto, no evento, na hashtag e na bandeira?


Porque, no ambiente empresarial, existe uma forma muito concreta de apoiar alguém:

fazer negócios.


O gênero não pode substituir aquilo que realmente sustenta uma relação empresarial e profissional: confiança, competência, responsabilidade e resultado.


Talvez essa seja a reflexão mais importante:

sororidade não precisa significar favorecimento.

E igualdade não pode significar apenas discurso.


No mundo dos negócios, as convicções aparecem de uma maneira muito objetiva:

nas escolhas que fazemos quando chega a hora de contratar.


Fontes:

Estadão - Luciana Garbin, “Você já ouviu falar de wollying? A violência de mulher pra mulher?” 11/09/2026.

OIT - Gender equality in supply chains 2025.

ONU Mulheres - Unfinished Business: Private Sector and Gender Equality 2025.

ONU Mulheres - Gender-Responsive Procurement.

 
 
 

Comentários


bottom of page